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domingo, 13 de março de 2011

Cariocas visitam Jaú no carnaval 2011

Grupo Melhor Idade da capital fluminense escolhe Jaú para brincar o carnaval 2011. 



Parece algo inacreditável pensar que cariocas pudessem visitar nossa cidade para apreciar nosso carnaval mas isso ocorreu em Jaú e neste ano. Durante os dias 6, 7 e 8 de março tive o prazer e a honra de guiar 46 pessoas da cidade maravilhosa (um grupo da Melhor Idade na sua maioria) em visitas à Barra Bonita, Brotas e claro nossa querida Jaú. Foi minha primeira grande experiência como guia turístico na região já que estou habituado a fazer trabalhos internos (principalmente a Matriz e o Cemitério), mesmo assim aceitei o desafio e o que se segue agora é uma pequena narrativa das minhas experiências e das muitas alegrias que vivemos juntos nestes poucos dias. 

Primeiro desafio: Chuva

Não foi fácil conciliar os passeios previstos com a chuva que não dava trégua. No dia 5 eles visitaram  Ibitinga - a capital do Bordado - sobre forte chuva. Não desanimaram e fizeram compras. Cheguei no Hotel Realce onde estavam hospedados já no início da noite para conhece-los pessoalmente e leva-los para o desfile de Carnaval no Centro Histórico. Quando nos achávamos na recepção do hotel para o embarque foi noticiado no TEM Notícias que o desfile fora adiado para a segunda feira. Restou-nos um passeio de reconhecimento de onde seria o carnaval. Por fim, não choveu naquela noite. 

Dia 6, Domingo - Barra Bonita


Saímos pela manhã para conhecer os atrativos turísticos da Barra Bonita. O Rio Tietê encantou aqueles que tinham uma imagem negativa (poluição principalmente). Visão esta construída segundo relatos deles através dos noticiários sensacionalistas como os "Datenas da vida" que mostram o Rio Tietê ao fundo nos telejornais sempre sujo, reto, feio e transbordando. Logicamente isso é conseqüência da maneira que eles tratam o Rio Tietê lá, aqui é diferente. 
Primeira parada o Museu Municipal Luiz Saffi onde fomos muito bem recebidos pela diretora Janaina Cescato que em breves mas objetivas explanações contou-nos a História da sua cidade. 


Após o Museu tivemos o tempo livre onde alguns puderam conhecer a famosa feirinha de artesanato. Outros aproveitaram para fazerem passeios de bonde e é claro ao som das marchinhas.


Almoçamos e as 14:30 embarcamos no navio San Marino do sempre alegre e competente  Capitão Hélio Palmesan. Entre piadas de sogra, Histórias, dados geográficos e marchinhas (alem de um pouco de garoa) fizemos nosso carnaval. Não preciso dizer que só deu "nos", como diria "ficou pequeno" aquele barco para tanta animação.


Por sorte do guia carioca Gustavo Sá não tenho registro fotográfico da sua performace imitando o Sidnei Magal que alguns chamaram injustamente de "Sidnei Mingau".


Dia 7, Segunda-Feira - Jaú e Brotas

Começamos a manhã do dia 7 com um city tour pelo centro histórico de Jaú. Nossa primeira parada foi em nosso maior cartão postal, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Patrocínio.


Segundo desafio - falta de infraestrutura para receber os turistas no centro histórico

Foi difícil achar uma vaga para estacionar o ônibus, os banheiros públicos ficavam distante e não havia uma lembrancinha sequer que pudesse ser adquirida com o nome de Jaú. Atenção empresários, vamos investir nisso, camisetas, bonés, chaveiros, etc.


Por grande sorte o Sr. Ítalo Poli Junior estava passando no local justo no momento em que falava sobre a restauração da nossa Matriz. Seu Ítalo é o presidente da comissão de restauro da Matriz e jauense atuante na cultura local (além de ser primo deste que vos escreve, para meu orgulho). Com muita simpatia que lhe é peculiar presentiou o grupo com um CD sobre a História do nosso herói nacional João Ribeiro de Barros.


 Explicações sobre a arquitetura eclética da Matriz chamou a atenção dos cariocas assim como a breve História da fundação da cidade em 1853.


Dentro da Matriz explicações sobre as pinturas. Alguns aproveitaram o clima de adoração ao Santíssimo para orarem.


Encantados com o nosso comércio alguns preferiram fazer compras e este simpático grupo ficou aos meus cuidados na centenária Praça da República.

Almoço


Almoçamos muito bem no Restaurante Gulana. Antes porem cometi uma gafe. Com um guia de turismo da gestão anterior que mostrava o Gulana ao lado do Lago do Silvério dirigi o grupo até aquela localidade. Para minha surpresa não achei o restaurante, onde estaria o Gulana? O guia da excursão Gustavo telefonou então para o restaurante e o proprietário muito prestativo começou a ensinar-lhe o caminho. Como ele não entendia o caminho passou o celular para mim. Não sei o que deu na minha cabeça tão nervoso que estava com a situação (um guia perdido), ao invés de dizer meu nome, disse, "aqui é o jauense, o jauense", mas como minha mente estava blindada não consegui localizar as ruas foi quando o proprietário disse-me para ficarmos lá que ele iria nos buscar. Foi a deixa para a Paula (outra guia da excursão) pegar o microfone aos risos para anunciar que o guia estava perdido e que alguém iria nos socorrer. Coisas da vida. Ai pegou o jargão, qualquer coisinha falavam "sou jauense".

Incidente superado fomos para Brotas (onde ocorreria mais tarde outra gafe).

Tínhamos planejado ir primeiro no Cine São José, como a cidade estava cheia de pessoas e de carros estacionados não achamos onde parar e fomos descendo. O que seria nossa última parada foi a primeira pois descemos no Parque dos Saltos.


Apreciações feitas, muitas fotos depois, subimos para o Museu do Calhambeque.


Eu (Julio Polli) e os guias do Rio de Janeiro, Paula Lemos e Gustavo Sá


Senhor Daniel e esposa no Museu do Calhambeque - herança de Raniero Bressan (mais informações http://www.brotas.com.br/museudocalhambeque/ )

Se lembra quando falei que tinha uma nova gafe? Pois então começou após sair do Museu do Calhambeque. Nosso ônibus estava longe (na verdade nem sei onde estava) e na minha opinião sair dali e ir até o Cine São José não era tão longe como na verdade foi. Quase matei o povo de andar. Quando chegamos no Cine (já estávamos atrasados) alguém me chamou de canto para se queixar da logística. Realmente fiquei muito chateado com o ocorrido. A culpa era minha e não dos guias da excursão. Mea culpa admitida, conhecemos o majestoso cinema comprado e restaurado pelo cantor Daniel.


Logo após o Cine São José, fomos de ÔNIBUS até a Casa da Cachaça. Eta...

Dia 8, Terça-Feira - Carnaval em Jaú

Com o adiamento do desfile carnavalesco para a segunda e as chuvas que não davam trégua, infelizmente o grupo não pode apreciar aquilo que vieram ver em Jaú, um carnaval tradicional.  Aliás fruto do trabalho de André Galvão de França frente a Secretaria de Cultura e Turísmo. Foi por causa dos carnavais de 2009 e 2010 que esse grupo escolheu Jaú para sua estadia no carnaval.
Pela manhã o tempo foi livre. Alguns escolheram descer até o centro da cidade e outros acompanharam-me para um passeio de Arte Cemiterial.


Fomos almoçar (dessa vez consegui chegar no Gulana sem errar) e após seguimos para a Matinê no Caiçara Clube.


Olha a animação do grupo antes de entrar no Caiçara.


Até eu cai na gandaia. Creio que fazia mais de sete anos que não participava de carnaval algum.

Apesar de parecer um macarrão pulando como comentou um amigo, cai na folia com o povo carioca. Havia apenas um inconveniente, toda vez que era anunciado que estava presente um povo do Rio de Janeiro, acredito que os sócios do Caiçara ao olharem para minha pessoa  pensavam "aquele carioca ali esta meio diferente".
Por fim os cariocas contagiaram os jauenses que ao meu ver divertiram-se muito com a animação desta trupe e eu ali pensando se tudo aquilo era real pois estava pulando carnaval (uma festa que tanto detestei) com uma galera super animada do Rio de Janeiro em Jaú! Se você não vai ao Rio de Janeiro, o Rio de Janeiro vai até você.

O carnaval se foi... e se foram meus amigos. Sou uma pessoa privilegiada por conhecer gente tão bacana e cheia de vida. Monstrou-me o quando o povo do Rio de Janeiro é carismático, simpático e acolhedor. O Rio de Janeiro é realmente a "Cidade Maravilhosa" nem tanto pela sua beleza mas principalmente por sua gente.

A vocês da GP Turismo (Gustavo e Paula) meu sincero e profundo agradecimento. Até a próxima. Assinado - Jauense.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Segundo passeio na Matriz Nossa Senhora do Patrocínio de 2011

Grupo de jovens da Igreja Nossa Senhora Auxiliadora aproveita o sábado (19-02-2011) para conhecer um pouco da História de Jaú e da Matriz.


Fui coroinha na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora (anos 80) e eventualmente aos domingos na Igreja Matriz Nossa Senhora do Patrocínio no tempo do Padre Chiquinho, hoje Bispo. Acontece que durante os anos que servi com muito amor a Igreja nunca ninguém se prontificou a levar-nos no órgão e muito menos aos sinos. Era um desejo antigo um dia poder conhecer tal lugar. Hoje graças a abertura dada pelo Padre Celso, pároco deste magnífico templo (obrigado Padre mais uma vez), temos a oportunidade de levar as pessoas a conhecerem estes locais. Não só isso, conhecerem a História de quem fez a Matriz, de quem a pintou e muitas outras passagens importantes de nossa História. 
Sábado dia 19 de fevereiro tive a honra de levar esse maravilhoso grupo de jovens nesta viagem ao "tempo passado".


Letícia, João, Elaine e companhia ficaram fascinados com os locais e com as visões proporcionadas olhando Jaú pela Matriz.


Vista da Matriz para a Praça Siqueira Campos - um coração no pingo de ouro. Aproximadamente 25 metros de altura.

Teve gente que teve medo dos sinos tocarem justo nesta hora. Só a título de esclarecimento os sinos tocam somente antes da missa das 17:00 e olhe lá. O que escutamos na verdade é uma gravação de sino tocando. 


Olhando para o chão nos relógios - 60 metros de altura.


Quem desejar fazer o passeio a Matriz pode entrar em contato com a Secretaria de Cultura que apoia este projeto através das suas oficinas. O telefone para contato é 014 3602 4777 ou 36024773. O passeio é gratuito.

Mais uma vez agradecimentos especiais ao Padre Celso e sua equipe e a Secretaria de Cultura e Turismo de Jahu.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Programação de Carnaval - Jaú 2011


Feijoada -  26 fev. às 12h
Local – Corinthinhas
Domingo no Parque – 27 fev. às 17
Rosa e Rosinha
Concurso Rainha e Rei Momo - 27 fev. às 20h
Local – Ginásio Dr. Neves
Desfile - Dia 05 de março às 19h
 Local – Centro Histórico de Jaú
Domingo no Parque – 06 de março às 17h
Samba Sinhá
Programação Distritos

Potunduva –       06/03 dom.- Matinê - às 16h
                             07/03 seg. - Show na Rua
                                               - Desfile - às 19h  
                             08/03 ter.  – Matinê – 16h

Vila Ribeiro -      06/03 dom. – Charanga – às 16h

Pouso Alegre -  08/03 ter.    – Charanga e Bonecos – às 16h 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Turismo na Matriz Nossa Senhora do Patrocínio de Jahu - diversão garantida para os jauenses



O que fazer em um dia nublado e de graça em Jaú numa tarde de segunda feira?

Que tal um passeio histórico na Matriz Nossa Senhora do Patrocínio do Jahu?

Foi o que decidiu fazer Daniela Chacon Malanga, Eliete Chacon, Elenice Chacon e Homero Vicente Ferreira. Com a supervisão do guia Julio Cesar Polli, autorização do Padre Celso (obrigado Padre), e projeto da Secretaria de Cultura e Turismo de Jaú, contamos um pouco da História da nossa cidade através da História da Matriz, este majestoso e imponente templo religioso - o mais belo do interior paulista- seus construtores, pintores, recursos artísticos e colaboradores, etc.


No final do passeio, informações sobre o marco zero da cidade (que esta no obelisco), a praça Siqueira Campos (projeto de Burle Max) e é claro, nosso querido herói nacional João Ribeiro de Barros (primeiro aviador a cruzar o Atlântico num vôo sem escalas, com tripulação) fecharam este passeio realizado no dia 23 de janeiro.

Chegamos em uma conclusão coletiva; todos nos divertimos, conhecemos um pouco mais de nossa História, trocamos conhecimentos, ficamos amigos e sobretudo, não éramos estranhos aos lugares visitados. Jauense pode muito bem se divertir com qualidade e de graça em Jaú, sua própria cidade.
Parabéns e obrigado a Secretaria de Cultura e Turismo de Jaú e ao secretário André Galvão de França por acreditar neste projeto que visa a popularização da História e a educação patrimonial.
Quem desejar fazer o passeio deve entrar em contato com a Secretaria de Cultura e Turismo através dos telefones (14) 3602 4777 ou 3602 4773 falar com Silvia ou Nilson.

(Fotos de Homero Vicente Ferreira)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Primeiro e segundo passeios noturno no Cemitério Municipal de Jahu - SP

Realizamos com apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Jahu (SP), o segundo passeio noturno ao Cemitério Municipal "Ana Rosa de Paula" em 2011. Este passeio (foto acima) aconteceu no sábado dia 22 de janeiro. O primeiro passeio ocorreu dia 19 de janeiro, uma quarta feira de lua cheia. Ambos passeios agradaram ao público presente que aproveitaram a oportunidade para debaterem sobre a História da cidade e suas próprias experiências de vida.
Os passeios também serviram para desmistificar que os Cemitérios não são lugares ruins povoados por almas penadas, fantasmas e coisas afins. Nestes passeios procuramos alem de contar a História do Município, desvendar a Arte Cemiterial presente na parte mais antiga.
Não são todas as cidades que possuem tal acervo e neste quesito Jaú é uma cidade privilegiada já que o ciclo do café proporcionou a riqueza que a originou.

O Cemitério de Jahu "Ana Rosa de Paula" foi inaugurado em 1895. Abordamos neste passeio os mitos populares e os olhares da população sobre a Arte Cemiterial que a interpretando conforme suas experiências de vida criaram mitos interessantes e curiosos como por exemplo a história da noiva e da caveirinha. Alem destas Histórias visitamos também túmulos da população que compõe a etnologia da população jauense: túmulos de italianos, sírios, negros ex-escravos, espanhóis e portugueses. Biografias de jauenses ilustres também fazem parte do passeio.


Atentos as explicações sobre os signos da Arte Cemiterial, a população tem participado e contribuído para que o Projeto Arte Cemiterial de Jahu cada vez mais se consolide como opção de cultura e laser na cidade.
Desde que começamos o projeto junto com a Secretaria de Cultura e Turismo de Jaú, cuja pasta pertence ao secretário André Galvão de França, o resgate histórico no cemitério deu um salto quantitativo e qualitativo. Um importante investimento para o resgate da memória da cidade.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

História da Matriz Nossa Senhora do Patrocínio do Jahu - História

Olá pessoal. Há muito tempo fiz aqui um pequeno resumo sobre a História deste lindo cartão postal de Jahu que tanto nos orgulha. (acredito que católicos, espíritas e evangélicos). Ela esta precisando de nossa ajuda para o restauro pois anos de infiltrações tem danificado não só os capitéis mas também as pinturas.

Interessante e gratificante é que baseei meu trabalho no livro escrito pelo Professor José Raphael Toscano na ocasião do centenário deste majestoso templo.

Mas agora foi o site da Matriz que baseou sua História com fotos e mais alguns dados retirados do meu blog. Quanta honra e que balaio de gatos. Mas a História é assim, um colabora daqui, outro colabora delá.

Eis o link que esta muito completo e informativo.


Lembrando aos amigos jauenses e turistas que agendamos passeios explicando a História de Jahu através da Matriz. Modéstia a parte tem sido um trabalho de resgate histórico muito bem acolhido pela comunidade.

Este trabalho, assim como os passeios de Arte Cemiterial são projetos da Secretaria de Cultura e Turismo de Jahu e podem ser agendados pelos telefones 3602 47 73 com Silvia ou Nilton.
No caso específico da Matriz algumas restrições existem, já que lá é um templo religioso e portanto devemos respeitar certos horários: segunda é exposição do Santissímo e na quarta confissão então estes dias não marcamos passeios.

Vamos lá povo, vamos conhecer e descobrir nossa História.

Agradecimentos especiais ao Secretário André Galvão de França, ao Padre Celso Buscariolo e ao Messias, zelador do Cemitério por estarem sempre nos atendendo com dignidade, educação e por acreditarem em nosso projeto.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Arte Cemiterial de Jahu - um balanço de 2010 e novas perspectivas para 2011

Agradeço de toda alma e coração as pessoas que acreditaram neste projeto tornando-o um atrativo turístico em Jahu. Nossos passeios noturnos tornaram-se sucesso de público e tem sido bem recebido pela comunidade. Através da divulgação do nosso acervo cemiterial trouxemos para Jahu pesquisadores e turístas de várias cidades.

Em 2011 prometemos continuar a pesquisa e a divulgação de nossa História.

Para agendamentos de turmas favor entrar em contato com a Secretaria de Cultura e Turísmo de Jahu pelo fone 3602 47 73 ou 360 47 77 com Silvia ou Nilson.

Lembramos que os passeios são gratuitos.

O próximo passeio cemiterial noturno será dia 19 de janeiro (quarta-feira).

abraços a todos e bom 2011.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Patrimônio Histórico - Os mistérios da Arte Cemiterial de Jaú

Texto publicado na Revista Etapa nº81 ano X julho/agosto 2010, páginas 30 - 31 texto e fotos Fernanda Élle

Patrimônio histórico

Os mistérios da Arte Cemiterial

Acervo tumular do Cemitério de Jaú está entre os poucos do Estado de São Paulo com potencial para visitação turística

Túmulos, ossos... Quando o assunto é cemitério, somos levados a pensar em várias coisas já presentes em nosso imaginário. A última delas é que a chamada “casa dos mortos” possa ser um roteiro artístico e cultural.

Pois é bem isso que está acontecendo no Cemitério Municipal Ana Rosa de Paula, localizado na Avenida Frederico Ozanan. Sob a orientação do historiador Júlio Polli, passeios guiados por entre os jazigos estão atraindo grupos de jovens, adultos e idosos, que se maravilham com as belas esculturas, o significado dos símbolos tumulares, as histórias de ilustres personagens, além de fatos curiosos sobre o local.


Para Polli, a arte cemiterial ou tumular está intrinsecamente ligada aos valores artísticos, culturais, sociais e econômicos de uma época. “O tipo de construção, o material empregado, os símbolos presentes nos túmulos e mauzoléus denotam a expressão de como a pessoa viveu num determinado tempo e espaço, fazendo deste recinto mais que um museu de arte a céu aberto, um verdadeiro patrimônio histórico que necessita ser preservado”, afirma o historiador. “A grande maioria dos sepulcros antigos, principalmente os de estilo capela, possuem traços relacionados ao estilo gótico. Apenas uma unidade tumular apresenta construção arquitetônica no moderno estilo art déco”, diz, fazendo referência à capela, onde se encontram enterrados os restos mortais de José Veríssimo Romão.

Signos da Morte

Anjos, colunas quebradas, tochas, guirlandas, âncoras e foices (ou ceifadeiras) estão entre os símbolos tumulares que podem ser encontrados no Cemitério de Jaú. Segundo o historiador jauense, cada peça possui um significado alusivo a interpretação que os familiares faziam da vida dos entes mortos. “Assim, a figura de anjos, apontando com a mão, em geral a direita, para o céu representam a crença de que o falecido tenha ido direto para o céu ou paraíso. Já o anjo pensativo mostra que a família não estava tão certa quanto à sua absolvição”, ele conta, ressaltando que as esculturas de anjos estão entre as mais numerosas do Cemitério de Jaú.

Também o fogo, símbolo da purificação, está presente em muitos sepulcros sob diversas formas. “Temos a chama de fogo que sai de uma urna, onde o fogo representa a destruição das forças do mal pela purificação e a urna, o símbolo do luto grego; as tochas possuem a mesma simbologia ligada à purificação, sendo que as tochas invertidas representam a morte, o sentido contrário da vida”, explica Polli.

Símbolo de solidez, estabilidade social e pessoal, as colunas chamam a atenção pela imponência que transmitem aos jazigos. Já as colunas quebradas são usadas para representar a morte de jovens e crianças, em alusão à vida que se quebrou. Segundo o historiador, por conta da ocorrência de vários túmulos com essa ornamentação numa mesma área do cemitério e por desconhecerem o significado dos símbolos funerários, circula uma lenda popular que conta que destroços de um avião teriam caído ali, acarretando na quebra de tais colunas.

Ramos de palmas, que simbolizam a ressureição, e as iniciais gregas do nome de Cristo XP (qui/rô) podem ser observadas em várias inscrições tumulares, indicando a religiosidade da família e a crença na salvação após a morte.

Outro símbolo que também é facilmente encontrado nas incursões pelo cemitério é a ampulheta, que remete à transitoriedade da vida, o tempo que se esvai. A ampulheta alada está ligada ao sentido do tempo que voa.

Arte Narrativa

Parte também do estudo da arte cemiterial, as narrativas constituem importantes registros sobre a vida dos mortos, revelando os seus feitos ou o caráter de suas relações sociais. Alguns túmulos apresentam inscrições com declarações de amor e saudades dos familiares, com homenagens póstumas ou poesias . Outros mostram biografias destacando o aspecto benfeitor do parente falecido.

Entre as surpresas que o Cemitério Municipal reserva estão inscrições tumulares em inglês e em árabe , provenientes de antigos imigrantes.

De tudo um pouco

O acervo tumular do Cemitério Municipal Ana Rosa de Paula ainda abriga obras de beleza estética apurada e constitui um dos poucos do Estado de São Paulo com potencial para visitação, de acordo com Júlio Polli. “É pena que, além do desgaste natural do tempo, esse nosso patrimônio histórico se encontre ameaçado pela ação humana”, diz ele fazendo referência aos atos de vandalismo e ao problema do déficit de vagas para enterro. Como não há mais áreas disponíveis muitos túmulos antigos já foram destruídos ou estão ameaçados de sê-lo para dar lugar os novos jazigos.

Fatos curiosos

Durante o passeio de quase três horas, nossa equipe de reportagem acompanhou o historiador pelas vielas estreitas do Cemitério Municipal – grande parte das ruas que davam acesso às quadras do local foram loteadas pelo problema do déficit de vagas para enterro – e se deparou com fatos, no mínimo, intrigantes.

Um deles é o caso Annita Toledo. Nascida em 27 de janeiro de 1910, ela veio a falecer em 11 de novembro 1922. Annita morreu jovem, sim. Até aí nada de anormal. O fato curioso é que ela se encontra em dois túmulos! Um praticamente atrás do outro!

Outro fato que nos chamou a atenção foi um jazigo em que o animal de estimação foi enterrado no jazigo da família Camargo. A cachorrinha “Lalis” possui inscrição com foto e tudo o mais. A cachorrinha faleceu aos 16 anos, em 24 de janeiro de 2009

O túmulo de Miguel Martins (5/3/1873 – 15/08/1950), com a imagem de uma caveira sobre a Bíblia, é um dos locais mais visitados do cemitério. O motivo: grande número de pessoas vêm até o túmulo fazer os seus pedidos, que crêem serem atendidos pelo falecido.

OBS MINHA : O Santo da Caveirinha é "São Gabriel da Virgem Dolorosa"

ERRATA: A cadelinha "Lalis" não esta enterrada como informei a jornalista e sim apenas sua foto esta no túmulo, como uma forma de cultuar a memória do animal de estimação querido.

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: Fernanda Élle e a Cléo Furquim. Vocês são demais!!

sábado, 18 de setembro de 2010

Passeios no Cemitério - Arte, Cultura e Memória no Cemitério Municipal de Jaú

Balanço dos passeios ao Cemitério de Jaú

Primeiro passeio noturno ao Cemitério de Jaú - Sexta feira 23 de julho de 2010, meu 36º aniversário de vida comemorado num lugar um tanto quanto diferente...


O primeiro passeio que fiz ao Cemitério foi num Sábado (chove-num-molha) dia 08 de agosto de 2008 e fez parte do Curso sobre Educação Patrimonial.

Fazendo um balanço sobre o sucesso que os passeios ao Cemitério Municipal de Jaú tem obtido desde junho de 2010 (mais de 300 pessoas já passaram pelo tour patrocinado pela Secretaria de Cultura e Turismo de Jaú) meu realismo otimista não seria facilmente aceito sem provas, talvez poderia ocorrer aos outros que sou louco ou, na melhores das hipóteses ser mais um mero sonhador, mas... senhoras e senhores sou pragmático. Um dom que Deus me deu...

Anos atrás quando dizia aos que pensei serem meus amigos ou alguns parentes: "farei um passeio ao Cemitério onde resgataremos a História da nossa cidade" - fora os rostos retorcidos - já rebatiam os corajosos: "não dará certo isso em Jaú". Os covardes apenas escutavam ou fingiam escutar. Por que não lograria êxito na empreita? É certo que a idéia é nova e um tanto o quanto diferente mas não esta embutido nela o principio desencadeador do conhecimento ou seja, a dúvida! a curiosidade! E quantas curiosidades não pairam sobre essa temática? Ora... ora... Ensina-se tudo no Cemitério, desde matemática (aff) através dos seus números e estatísticas, até enfermagem ao resgatar o cotidiano das pessoas. Sem contar geografia, educação artistica, língua portuguesa e é claro a mais bela de todas as ciências - A História!

Perguntam-me agora: "O que vocês vão fazer no Cemitério a noite?" - ou - "O que se tem para ensinar ou estudar lá?". Tantas respostas cretinas me aparecem na mente mas não é função minha desdenhar da ignorância alheia ou de quem, na maioria dos casos, quer desdenhar de mim, aliás, acredito que estou ensinando, informando, criando um novo hábito, uma nova opção de laser, e por que não? Na Europa já o fazem a décadas.

Porém, alguns estudiosos e eruditos criticam com o brado retumbante nos bares, botecos, ouvidos e telefones e afins: "Esta tudo errado o que ele diz", "Queria saber qual a temática para um passeio noturno" e outros ainda dizem-na diretamente a mim...! "O maior erro da imprensa é te chamar de historiador não é Julio?"

Confesso que estas respostas abaixo não são para os meus amigos e nem para vocês leitores do blog, mas aos inimigos do saber, aos amargurados com a vida. Então lá vai...

Não, não é o maior erro da imprensa me chamar de Historiador porque eu SOU Historiador. Minha pesquisa é viva mesmo falando de morte. Não esta engavetada ou mesmo arquivada a anos em uma prateleira para fazer volume, ou como queiram, dar "títulos" aos eruditos inclusive a quem me disse isso. Qual é o tema do seu doutorado mesmo? Hummm pesquisa morta.

Quer saber a temática de se passear a noite? junte-se a nós no próximo passeio e você sentirá toda a magia que existe neste Campo Elísio. Indescritível. Não é necessário temática, o tema é o estudo, o horário é que é diferente e isso é que torna atraente e é a razão do sucesso.

E por último, não estou falando nada errado que não esteja de acordo com os estudos de Arte Cemiterial que se tem produzido no Brasil e nos países do qual somos depositários da cultura, como Portugal. Aliás, falo da verdade que conheço e que construo que me ensina a metodologia científica. Já disse antes, sou pragmático.

Aquele que tiver ouvido de ouvir que ouça...

"Os Iluminados" - Segunda turma do curso de Pedagogia das Faculdades Integradas de Jaú, alunos da professora Marília de Araraquara - Sábado dia 19 de junho de 2010.

Primeira turma do curso de Pedagogia - Iniciando os trabalhos - 24 de agosto de 2009

Passeio no sábado de tarde dia 14 de agosto de 2010. Aprendizagem mesmo em grupos pequenos.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Turistas cariocas visitam a Matriz Nossa Senhora do Patrocínio de Jahu em 05-09-2010

Demonstrando para os céticos e destruidores do patrimônio histórico arquitetônico que o turismo de passeio já é uma realidade e um movimento irreversivel em Jaú publico algumas fotos do passeio realizado no domingo dia 05 de setembro de 2010 com este animado grupo de 36 cariocas que vieram e se hospedaram em Jaú. Não vieram apenas para as compras muito embora isso seja um atrativo turístico forte (o turismo de compras) para a cidade quiseram antes conhecer a História de Jaú.
Os turistas ficaram encantados com a beleza da nossa igreja e tiraram muitas fotos em duas horas de passeio no majestoso templo, nosso cartão postal, neste caso, tirando fotos da imagem da Nossa Senhora do Patrocínio.
Após conhecerem a Matriz, fizemos um breve passeio pelo entorno da matriz e pela praça Siqueira Campos. Todos reconheceram de pronto Newton Braga, carioca e co-piloto do nosso herói João Ribeiro de Barros. Na foto acima, a dona Jacira não se aguentou e deu aquele abraço em nosso comandante.

Logo após o passeio panorâmico dirigimo-nos ao Território do Calçado. Enquanto aguardavam suas esposas esse grupo preferiu esperar tomando "umas" cervejinhas. Eu fiquei apenas na Coca-Cola... claro... guia não pode beber em serviço... ou pode?

Após as compras, pose com as sacolas. Em respeito a ética de não ser um "guia sacoleiro" não recebi e nem distribui comandas para ganhar comissão sobre as vendas. Aqui uma critica ao Território do Calçado...que lugarzinho mais feio e mal conservado esse onde é o ponto de encontro dos turistas.
Na seqüência almoço em Jaú e a tarde passeio de eclusa na Barra Bonita. Como eu, Daniel Rosalem, pensamos e acreditamos na regionalização do turismo.
Na foto a guia carioca Aparecida e eu com a camisa do Galo, ao fundo, as margens do Rio Tietê durante o passeio de eclusa. Cultura, entretenimento e compras, tudo pode se conciliar havendo união. Todos saímos ganhando com isso.

Abaixo matéria do jornal Comércio do Jahu publicada hoje dia 07-09-2010 que tratou um pouco desse assunto.


Projetos em Jaú incluem visitas ao cemitério e à igreja matriz


A Secretaria de Cultura e Turismo de Jaú renovou o contrato do projeto da oficina de arte cemiterial do pesquisador e historiador Julio Cesar Polli, até dezembro deste ano. Desde junho, a parceria permite visitas gratuitas ao Cemitério Municipal Ana Rosa de Paula para que a população possa conhecer fatos históricos e culturais da cidade pela arte de túmulos e personalidades municipais.
Os passeios ocorrem durante o dia e são abertos à população e às escolas. De acordo com Polli, cerca de 300 pessoas participaram das atividades diurnas e 95 estiveram presentes nas duas excursões noturnas, que devem ser feitas uma vez por mês.
“O atrativo da noite é a curiosidade do ambiente que as pessoas não costumam estar. Foi uma experiência nova e um desafio”, comenta. Polli informa que pretende realizar sarau noturno para resgatar o caráter artístico da cidade, com encenação de atores de obras de Hilda Hilst, entre outros.

A renovação do contrato inclui o Projeto Patrimônio Histórico Cultural da Igreja Matriz Nossa Senhora do Patrocínio: História e Significados, que trata da divulgação da história da cidade por meio do templo.
A primeira visita ocorreu na manhã de anteontem com grupo de 36 turistas, que vieram a Jaú para conhecer a história da local. O enredo começa com o surgimento da capela e a evolução urbana, até a construção da igreja no estilo neogótico. (Da redação)








sexta-feira, 29 de maio de 2009

Arquitetura Eclética de Jahu (SP) - Brasil

Arquitetura Eclética é o movimento arquitetônico predominante no Brasil e em Portugal na segunda metade do século XIX e primeiras décadas do século XX.
É basicamente a mistura de estilos arquitetônicos que exibiam elementos da arquitetura clássica, gótica, barroca e neoclássica.
Estava inserido dentro da arquitetura historicista que buscava reviver através de seus diversos "neos" - neoclássico, neogótico, neoromântico, neobarroco -, os elementos mais significativos destas correntes arquitetônicas.
De maneira geral se caracterizou pela simetria, busca da grandiosidade e riqueza decorativa.
No estado de São Paulo o ecletismo arquitetônico teve em Ramos de Azevedo seu maior nome. A antiga estação de trem da Companhia Paulista na Rua Humaitá em Jaú - demolida na década de 70 para abrigar a atual estação rodoviária - foi projetada por ele.

Foto: acervo Ítalo Poli Jr.

Em Jaú (estado de São Paulo, Brasil), fundada em 1853, a arquitetura eclética é um precioso patrimônio cultural cujo valor merece mais atenção do setor público e privado.


A Secretaria de Cultura e Turismo de Jaú tem promovido cursos e oficinas cujo principal objetivo é divulgar a riqueza patrimonial da cidade. Na contramão, alguns vereadores, donos ou representantes de setores cujo lucro advêm da especulação imobilizaria, tentam limitar e barrar as ações preservacionistas da cidade. Em nome do dinheiro fácil querem privar a cidade deste importante patrimônio cultural capaz de gerar renda através do turismo.





Fotos - Julio Cesar Polli 2008/2009

Conheça um pouco da História de Jaú...

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