sexta-feira, 22 de janeiro de 2010


Hilda Hilst


"Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.

Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)

Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra."


Hilda Hilst nasceu na cidade de Jaú, interior do Estado de São Paulo, no dia 21 de abril de 1930, filha única do fazendeiro, jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst e de Bedecilda Vaz Cardoso. Com pouco tempo de vida, seus pais se separaram, o que motivou sua mudança, com a mãe, para a cidade de Santos (SP). Seu pai, que sofria de esquizofrenia, foi internado num sanatório em Campinas (SP), tendo nessa época 35 anos de idade. Até sua morte passou longos períodos em sanatórios para doentes mentais.

Foi para o colégio interno, Santa Marcelina, na cidade de São Paulo, em 1937, onde estudou por oito anos. No ano de 1945 matricula-se no curso clássico da Escola Mackenzie, também naquela cidade. Morava, nessa época, num apartamento na Alameda Santos, com uma governanta de nome Marta.

Em 1946, pela primeira vez, visitou o pai em sua fazenda em sua cidade natal, Jaú. Em apenas três dias, no pouco tempo que passou com ele, perturbou-se com sua loucura. Em "Carta ao Pai" diz a biografada:

"Só três noites de amor, só três noites de amor", implorava o pai, sim, o pai, ele nunca fizera uma coisa como essa, sim, era Jaú, interior de São Paulo, um dia qualquer de 1946, sim, a filha deslumbrante, tremendo em seus 16 anos, sim, o pai a confundia com a mãe, a mão dele fechada sobre a dela, sim, o pai a confundia com a mãe, a confundia, sim?..."

Aconselhada pela mãe, em 1948 inicia seus estudos de Direito na Faculdade do Largo do São Francisco. A partir de então levaria uma vida boêmia que se prolongou até 1963. Moça de rara beleza, Hilda comportava-se de maneira muito avançada, escandalizando a alta sociedade paulista. Despertou paixões em empresários, poetas (inclusive Vinicius de Moraes) e artistas em geral.

Em 1949 é escolhida para saudar, entre os alunos de Direito, a escritora Lygia Fagundes Telles, por ocasião do lançamento de seu livro de contos "O Cacto Vermelho".

Hilda lança, nos dois anos seguintes, seus primeiros livros: "Presságio" (1950), e "Balada de Alzira" (1951).

Conclui o curso de Direito em 1952. Três anos depois publica "Balada do Festival".

No ano de 1957 viaja pela Europa por sete meses (junho a dezembro). Namora com o ator americano Dean Martin e, fazendo-se passar por jornalista, assedia, sem sucesso, Marlon Brando, outro galã de Hollywood.

Em 1959 publica o livro de poesia "Roteiro do silêncio" e "Trovas de muito amor para um amado senhor". José Antônio de Almeida Prado, primo da escritora, inspira-se em poemas desse último livro e compõe a "Canção para soprano e piano". Em outras oportunidades voltou a basear-se em textos de Hilda para compor alguns de seus trabalhos mais significativos. Os compositores Adoniran Barbosa ("Quando te achei") e Gilberto Mendes ("Trovas"), entre outros, também se inspiraram em textos da autora.

"Ode fragmentária" é lançado em 1961. Seu livro "Trovas de muito amor para um amado senhor" é reeditado por Massao Ohno.

É agraciada com o Prêmio Pen Club de São Paulo pelo livro "Sete cantos do poeta para o anjo", em 1962. Passa a morar na Fazenda São José, a 11 quilômetros de Campinas (SP), de propriedade de sua mãe. Abre mão da intensa vida de convívio social para se dedicar exclusivamente à literatura. Tal mudança foi influenciada pela leitura de "Carta a El Greco", do escritor grego Nikos Kazantzakis. Entre outras teses, defende o escritor a necessidade do isolamento do mundo para tornar possível o conhecimento do ser humano.

Muda-se para a Casa do Sol, construída na fazenda, onde passa a viver com o escultor Dante Casarini, em 1966. Morre seu pai.

Em 1967 redige "A possessa" e "O rato no muro", iniciando uma série de oito peças teatrais que escreveria até 1969. Lança "Poesia (1959 / 1967)".

Por imposição da mãe, internada no mesmo sanatório em Campinas onde estivera seu pai, casa-se com Dante Casarini, em 1968. Escreve as peças "O visitante", "Auto da barca de Camiri", "O novo sistema" e "As aves da noite". "O visitante" e "O rato no muro" são encenadas no Teatro Anchieta, em São Paulo, para exame dos alunos da Escola de Arte Dramática, sob direção de Terezinha Aguiar.

Em 1969 escreve "O verdugo" e "A morte do patriarca". A primeira recebe o Prêmio Anchieta. A montagem de "O rato no muro", sob a direção de Terezinha Aguiar, é apresentada no Festival de Teatro de Manizales, na Colômbia.

"Fluxo-Floema", sua primeira obra em prosa, é lançada em 1970. A peça "O novo sistema" é encenada em São Paulo, no Teatro Veredas, pelos Grupo Experimental Mauá (Gema), sob a direção de Terezinha Aguiar. Baseando-se nos experimentos do pesquisador sueco Friedrich Juergenson relatados no livro "Telefone para o além", Hilda Hilst iria se dedicar, ao longo desta década que se iniciava, à gravação, através de ondas radiofônicas, de vozes que, assegurava, seriam de pessoas mortas. No mesmo período anunciou a visita de discos voadores à sua fazenda. "O verdugo" é editado em livro, e é, até hoje, a única que não é inédita. Morre sua mãe, Bedecilda.

Em 1972 o Grupo de Teatro Núcleo, da Universidade Estadual de Londrina, sobre a direção de Nitis Jacon A. Moreira, encena a peça "O verdugo". Essa mesma peça é encenada no Teatro Oficina, em São Paulo, sob a direção de Rofran Fernandes, no ano seguinte, época em que foi lançado seu novo livro "Qadós".

"Júbilo, memória, noviciado da paixão" é lançado em 1974.

No ano de 1977 é publicado o livro "Ficções", que recebe o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), como "Melhor Livro do Ano".

Três anos depois, 1980, saem os livros "Poesia (1959/1979)", "Da morte. Odes mínimas", e "Tu não te moves de ti". Recebe da APCA o prêmio pelo conjunto da obra. Estréia a montagem de "As aves da noite" no Teatro Ruth Escobar, com direção de Antônio do Valle. Divorcia-se de Dante Casarini, mas o ex-marido continua morando na Casa do Sol.

Passa a fazer parte do Programa do Artista Residente da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em 1982. Lança "A obscena senhora D". No ano seguinte publica "Cantares de perda e predileção", que recebe os prêmios Jabuti (da Câmara Brasileira do Livro) e Cassiano Ricardo (do Clube de Poesia de São Paulo).

Em 1984 saem os "Poemas malditos, gozosos e devotos". Dois anos depois, em 1986, publica os livros "Sobre a tua grande face" e "Com meus olhos de cão e outras novelas". 1989 marca o lançamento de "Amavisse".

Com "O caderno rosa de Lori Lamby", livro que consagra a nova fase iniciada em "A obscena senhora D", a escritora anuncia o "adeus à literatura séria" (1990). Justifica essa medida radical como uma tentativa de vender mais e assim conquistar o reconhecimento do público. A obra provoca "espanto e indignação" em seus amigos e na crítica. O editor Caio Graco Prado se recusa a publicá-la e o artista plástico Wesley Duke Lee a considera "um lixo". Lança "Contos d'escárnio/Textos grotescos e Alcoólicos".

O quarto livro dessa fase que, para muito, como dissemos, causou "espanto e indignação", "Cartas de um sedutor" é lançado em 1991. O livro "O caderno rosa de Lori Lamby" é traduzido para o italiano. Estréia, em São Paulo, a peça "Maria matamoros", adaptação do texto "Matamoros" que se encontra no livro "Tu não te moves de ti".

Em 1992 lança a antologia poética "Do desejo" e "Bufólicas", na verdade uma brincadeira quase infantil da autora, por muitos visto como uma paródia. Passa a colaborar com o Correio Popular, jornal diário de Campinas (SP), escrevendo crônicas semanais; o trabalho se estenderia até 1995.

No ano seguinte publica "Rútilo nada", num livro que também continha "A obscena senhora D" e "Qadós". "Rútilo nada" recebe o Prêmio Jabuti na categoria "Contos".

Em 1994, "Contos d'escárnio & Textos Grotescos" é traduzido para o francês.

No ano seguinte sai o volume "Cantares do sem nome e de partidas". O Centro de Documentação Alexandre Eulálio, da UNICAMP, adquire seu arquivo pessoal. A escritora sofre isquemia cerebral.

Em 1997, lança "Estar sendo. Ter sido". Seus poemas são lidos em Quebec, Canadá, juntamente com textos de Safo, Gabriela Mistral e Marguerite Yourcenar, entre outras autoras, no recital Le féminin du feu, durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher.

A edição bilíngüe (português-francês) do livro "Da morte. Odes mínimas" é publicada em 1998. Publica também "Cascos & Carícias: crônicas reunidas (1992-1995)", volume de textos que saíram no jornal "Correio Popular". Volta a se dedicar a questões sobrenaturais: afirma acreditar no contato dos mortos com a Terra através de mensagens enviadas via fax. Reafirma o desejo de construir em suas terras um centro de estudos da imortalidade.

Em 1999, lança a antologia poética "Do amor". Sob a coordenação do escritor Yuri V. Santos entra no ar seu site oficial:

http://www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html.

"O caderno rosa de Lori Lamby" é levado ao palco sob direção de Bete Coelho e tendo no papel principal a atriz Iara Jamra.

Em 2000, lança "Teatro reunido" (volume 1)". Estréia, em Brasília, a adaptação teatral de "Cartas de um sedutor". Estréia, na Casa de Cultura Laura Alvin, no Rio de Janeiro, o espetáculo "HH informe-se", reunião e adaptação teatral de textos da autora. Inauguração, em dezembro, da "Exposição Hilda Hilst - 70 anos", evento criado pela arquiteta Gisela Magalhães no SESC Pompéia, em São Paulo.

Em 2001, estréia, no Rio de Janeiro, a adaptação teatral de "Cartas de um sedutor". A Editora Globo passa a ser responsável por toda sua obra publicada.

Agraciada, em 2002, com o Prêmio Moinho Santista - 47ª edição, categoria poesia.

Agraciada, em 2003, pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), na área de literatura, com o Grande Prêmio da Crítica pela reedição de suas "Obras completas".

Hilda Hilst faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004, na cidade de Campinas (SP).


Obras da Autora:

Individuais:

Poesia:

Presságio - SP: Revista dos Tribunais, 1950. (Ilustrações Darcy Penteado).

Balada de Alzira - SP: Edições Alarico, 1951. (Ilustrações de Clóvis Graciano).

Balada do festival - RJ: Jornal de Letras, 1955.

Roteiro do Silêncio - SP: Anhambi, 1959.

Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959 SP: Massao Ohno, 1961.

Ode fragmentária - SP: Anhambi, 1961.

Sete cantos do poeta para o anjo - SP: Massao Ohno, 1962. (Prêmio PEN Clube - S. Paulo) (Ilustrações de Wesley Duke Lee).

Poesia (1959/1967) - SP: Livraria Sal, 1967.

Júbilo, memória, noviciado da paixão - SP: Massao Ohno, 1974.

Poesia (1959/1979) - SP: Quíron/INL, 1980. (Ilustração de Bastico).

Da Morte. Odes mínimas - SP: Massao Ohno, Roswitha Kempf, 1980. (Ilustrações da autora)

Cantares de perda e predileção - SP: Massao Ohno/M. Lídia Pires e Albuquerque Editores,1980 (Prêmio Jabuti/Câmara Brasileira do Livro. Prêmio Cassiano Ricardo/Clube de Poesia de São Paulo.)

Poemas malditos, gozosos e devotos - SP: Massao Ohno/Ismael Guarnelli Editores, 1984.

Sobre a tua grande face - SP: Massao Ohno, 1986.

Amavisse - SP: Massao Ohno, 1989.

Alcoólicas - SP: Maison de vins, 1990.

Do desejo - SP: Pontes, 1992

Bufólicas - SP: Massao Ohno, 1992. (Desenhos de Jaguar).

Cantares do sem nome e de partidas - SP: Massao Ohno, 1995.

Do amor - SP: Edith Arnhold/Massao Ohno, 1999.

Ficção:

Fluxo-Floema - SP: Perspectiva, 1970. Qadós - SP: Edart, 1973.

Ficções - SP: Quíron, 1977. (Prêmio APCA. Melhor livro do ano.)

Tu não te moves de ti - SP: Cultura, 1980.

A obscena senhora D - SP: Massao Ohno, 1982.

Com meus olhos de cão e outras novelas - SP: Brasiliense, 1986. (Ilustrações da autora).

O caderno rosa de Lori Lamby - SP: Massao Ohno, 1990. (Ilustrações de Millôr Fernandes).

Contos d'escárnio/Textos grotescos - SP: Siciliano, 1990.

Cartas de um sedutor - SP: Paulicéia, 1991.

Rútilo nada - Campinas: Pontes 1993. (Prêmio Jabuti/Câmara Brasileira do Livro.)

Estar sendo. Ter sido - SP: Nankin, 1997. (Ilustrações de Marcos Gabriel).

Cascos e carícias: crônicas reunidas (1992 / 1995) - SP: Nankin, 2000 Antologias Poéticas:

Do desejo - Campinas, Pontes, 1992.

Do amor - SP: Massao Ohno, 1999.

Participações em coletâneas:

"Agüenta coração". In: Flávio Moreira da Costa - Onze em campo e um bando de primeira - Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1998, pp. 39-40.

"Canto Terceiro, XI (Balada do Festival)". In: Milton de Godoy Campos - Antologia poética da Geração de 45 - São Paulo: Clube da poesia, 1966, pp.114-115.

"Rútilo nada". In: Renata Pallotini - Anthologie de la poésie brésilienne - Paris: Chandeigne, 1988, pp.373-381m, tradução de Isabel Meyrelles.

"Gestalt". In: Ítalo Moriconi - Os cem melhores contos brasileiros do século - Rio de Janeiro: Objetiva, 2000, pp. 332-333.

"Do desejo" (fragmentos), "Alcoólicas" (fragmentos). In: Ítalo Moriconi - Os cem melhores poemas brasileiros do século - Rio de Janeiro: Objetiva, 2000, pp.289-290, 293-295.

"Do desejo (poema XLIX)". In: José Neumanne Pinto - Os cem melhores poetas brasileiros do século - São Paulo, 2001. pp. 230.

"Poeti brasiliani contemporanei". Prefácio e seleção de Silvio Castro. Veneza - Centro Internazionale della Gráfica di Venezia, 1997, pp.64-75.

Em parceria:

Renina Katz: serigrafias. Poema de Hilda Hilst - SP: Cesar, 1970.

Teatro :

A Possessa - 1967.

O rato no muro - 1967.

O visitante - 1968.

Auto da barca de Camiri - 1968.

O novo sistema - 1968.

As aves da noite - 1968.

O verdugo - 1969 (Prêmio Anchieta - Conselho Estadual de Cultura, 1970)

A morte do patriarca - 1969.

Teatro reunido (volume I) - 2000. (com exceção da peça "O verdugo", todas as obras são inéditas).

Traduções:

Para o alemão:

Briefe eines Verführers. (Cartas de um sedutor, fragmento). Tradução de Mechthild Blumberg. Stint. Zeitschrift für Literatur, Bremen, n.27, ano 15, pp.28-30, out. 2001.

Funkelndes Nichts (Rútilo nada). Tradução de Mechthild Blumberg Stint. Stint. Zeitschrift für Literatur, Bremen, n.29, ano 15, pp.54-66, ago. 2001.

Vom Tod. Minimale Oden (Da morte. Odes Mínimas). (Odes I, IV, V, VI, VIII, XII, XIX e poemas I e III de "À tua frente. Em vaidade". Tradução de Curt Meyer-Clason. In: Modernismo Brasileiro und die brasilianische Lyric der Gegenwart. Berlin, 1997.

Para o espanhol:

Rútilo nada. Tradução de Liza Sabater. De azur. Nova York, pp.49-59, jun/ago. 1994.

Para o francês:

Contes sarcastiques - fragments érotiques - Paris: Gallimard, 1994.

L'obscène madame D suivi de le chien - Paris: Gallimard, 1997.

Da morte. Odes mínimas / De la mort. Odes minimes - SP: Nankin Editorial / Montreal, Le Noroît, 1998 (edição bilingüe português / francês). (Ilustrações da autora.)

Para o italiano:

Il quaderno rosa di Lori Lamby - Roma: Sonzogno, 1992.

Para o inglês:

Glittering Nothing. Tradução de David Willian Foster. In: Cristina Ferreira Pinto - Urban Voices - Contemporary Short Stories from Brazil. New York, University Press of America, 1999.

Two Poems. Tradução de Eloah F. Giacomelli. The Antagonish Review- Scotia, n. 20, p. 61, out. 1975.

Prêmios:

Em 1962, o Prêmio PEN Clube de São Paulo, por Sete cantos do poeta para o anjo (Massao Ohno Editor, 1962).

Em 1969, a peça O Verdugo arrebata o prêmio Anchieta, um dos mais importantes do país na época. A Associação Paulista dos Críticos de Arte (Prêmio APCA) considera Ficções (Edições Quíron, 1977) o melhor livro do ano.

Em 1981, Hilda Hilst recebe o Grande Prêmio da Crítica para o Conjunto da Obra, pela mesma APCA.

Em 1984, a Câmara Brasileira do Livro concede o Prêmio Jabuti a Cantares de perda e predileção (Massao Ohno - M. Lídia Pires e Albuquerque editores, 1983), e, no ano seguinte, a mesma obra recebe o Prêmio Cassiano Ricardo (Clube de Poesia de São Paulo).

Em 1993, Rútilo Nada. A obscena senhora D. Qadós, (Pontes - 1993) recebe o Prêmio Jabuti como melhor conto. Os dados acima foram obtidos em livros da e sobre a autora, sites na Internet e nos Cadernos de Literatura Brasileira (IMS) - número 8, outubro de 1999.

Agraciada, em 2002, com o Prêmio Moinho Santista - 47ª edição, categoria poesia.

Agraciada, em 2003, pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), na área de literatura, com o Grande Prêmio da Crítica pela reedição de suas "Obras completas".


Os dados acima foram obtidos em livros da e sobre a autora, sites na Internet e nos Cadernos de Literatura Brasileira (IMS) - número 8, outubro de 1999.


texto extraido na íntegra do site http://www.releituras.com/hildahilst_bio.asp

agradecimentos especiais a Arnaldo Nogueira Jr

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Balanço de 2009 - Passeios turísticos e cursos



no Museu Municipal de Jaú


visitando a Matriz Nossa Senhora do Patrocínio

visita a Matriz com o grupo da 3ª idade (ao centro a rainha do 1º centenário de Jaú, dona Neuza Mazza Piccino)

Arte Cemiterial com os alunos do curso de Pedagogia da Fundação Dr. Raul Bauab

Arte Cemiterial com o pessoal do patrimônio histórico de Jaú

Agradecimentos especiais a Secretária de Cultura de Jaú, ao Guilherme Valente, Ricardo Dalbó, ao Padre Celso e a todos que prestigiaram e colaboram com nossas pesquisas tornando as aulas e os cursos muito prazerosos. Esperamos repetir a dose em 2010.


sábado, 5 de dezembro de 2009

04/12/09 22h36

Link

Júlio Polli, que comandou duas oficinas no museu municipal sobre a Matriz Nossa Senhora do Patrocínio, levou o grupo acima para uma visita guiada à igreja. O encontro proporcionou conhecimento sobre a história da matriz e, além disso, o grupo pôde examinar de perto as belezas da construção e o que deve ser restaurado

matéria publicada no COMÉRCIO DO JAÚ - 04-12-09

sábado, 25 de julho de 2009

A arte cemiterial de Jahu com a música Libera-me, de Entrevista com Vampiros

Vídeo produzido por Julio Cesar Polli. Contém fotos tiradas do Cemiterio Municipal de Jahu, Ana Rosa de Paula, e a música Libera-me da trilha sonora do filme Entrevista com Vampiros.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Jaú organiza visita turística aos jazigos - Jornal da Cidade (Bauru - 05/07/09)


Jaú organiza visita turística aos jazigos

A proposta é que estudantes aproveitem o passeio para aprender um pouco mais sobre a história da cidade e seu povo

Rodrigo Ferrari

O Cemitério de Jaú irá se transformar em ponto de parada obrigatória para os turistas que visitam a cidade. Um projeto desenvolvido pelo professor de história Júlio César Polli em parceria com a Secretaria de Cultura do município pretende organizar visitas monitoradas ao local. O primeiro passeio (que será gratuito) é destinado a alunos do curso de pedagogia da Faculdade Jauense (Fajau). Na opinião do professor, cemitérios são locais privilegiados para se pesquisar a história de determinado local. “As pessoas ‘levam’ para o túmulo seus gostos, sua visão de mundo, suas concepções religiosas, seu modo de vida. Você pode até não fazer idéia de como era a casa de indivíduo, mas poderá ter uma noção clara de como ela vivia a partir de sua sepultura”, explica ele. Cemitérios também permitem acompanhar as transformações culturais e ocorridas em uma sociedade, ao longo dos anos.
Em Jaú, a coexistência dos mausolé
us suntuosos do início do século passado com jazigos simples e quase sem ornamentos, construídos a partir da década de 1950, ajuda a dar uma idéia de como foi declínio da cultura do café na região central de São Paulo. Se, antigamente, os fazendeiros podiam se dar ao luxo de fazer com que seus mortos descansassem em verdadeiras réplicas de palácios, hoje algumas famílias mal têm condições de ladrilhar a morada eterna de seus entes queridos.No Cemitério da Saudade, em Bauru, essas transformações também são bastante claras. Mais do que isso - os túmulos existentes no local colocam em evidência as desigualdades sociais que vigoram na cidade, desde seus primórdios. Enquanto as famílias tradicionais tiveram condições de ornar seus jazigos com esculturas de bronze ou mármore produzidas por artistas talentosos, os mais pobres se viram obrigados a recorrer a estátuas de gesso para homenagear seus mortos. Absorvidas por sua própria dor, as estátuas de bronze que enfeitam os mausoléus dos figurões acabam por ignorar o sofrimento das pobres imagens de gesso, que se deterioram ao sabor das intempéries do tempo.

matéria publicada no JORNAL DA CIDADE de Bauru em 05/07/2009
agradecimento especial ao jornalista Rodrigo Ferrari e ao Jornal de Bauru pela reportagem


domingo, 21 de junho de 2009

Miguel Pacífico - o santo jauense


Jaú tem uma História peculiar quanto a religiosidade nacional. O único santo brasileiro, Santo Frei Galvão (Antônio de Sant'Ana Galvão) tem um milagre realizado nesta localidade as margens do Rio Tietê (embora não reconhecido pelo Vaticano). São Frei Galvão também possue descendentes no município.

A quase beata, Madre Maria Teodora Voiron, dentre tantas obras de caridade ajudou a fundar e a manter dois asilos no interior do Estado de São Paulo sendo um deles em Jaú.

Mas agora falaremos de um "santo" particularmente jauense. Trata-se de Miguel Pacífico, um italiano que aqui viveu em fins do século XIX e início do XX.

Neste dia 22 de junho comemora-se 40 anos que o escritor jauense Murilo de Almeida Prado escreveu sobre as façanhas deste "santo" genuinamente jauense. Em sua homenagem reproduziremos na íntegra o maravihoso texto escrito no Comércio do Jahu.


COMERCIO DO JAHU - 22 de junho de 1969 - p. 1

"O Santo Carpinteiro que não era São José"

por

Murilo de Almeida Prado

Que o tempo divulgue a lenda e Jahu terá o seu santo, que tambem era carpinteiro, como José. Quem passa pela rua Saldanha Marinho terá a sua atenção despertada, a certa altura por uma curiosa estatua de madeira, entronizada num grande nicho e protegida, frontalmente por uma grade de ferro. Ao pé do nicho, uma inscrição em brucês macarrônico, apagada demais para que permita a sua leitura.

A primeira vista, o visitante mal informado pensará que se trata de uma capela original e os mais religiosos se aproximarão com místico fervor, como já tem acontecido. O fotografo da praça, já acostumado a essas visitas tem observado que gostam de levar uma lembrança da cidade, se postam diante do monumento com marcada atitude de respeito, não dissimulando a fé. Alguns chegam a dirigir preces e fazer promessas à imagem que acreditam por certo será milagreira, ou ali não estaria, impondo a sua paz e irradiando tranquilidade. Outros, procurando satisfazer sua curiosidade, interpelam os moradores locais: - "Quem será o santo?".

O "Santo" Miguel

Miguel Pacífico, cidadão jauense, carpinteiro de profissão, não aspirava a santidade. Tinha lá suas manias, entre as quais se contava o desejo de grandeza, mas jamais pensara em atingir seu objetivo por meio de algum apadrinhamento sobrenatural. Aspirava a grandeza, modestamente. Queria uma celebridade terrena, uma consagrção quase mundana.

Talvez porque fiezesse parte da banda que aos domingos se exibia no coreto do jardim, onde já no início do século se viam os bustos de célebres cidadãos, Miguel Pacífico começou a sonhar com uma consagração pública semelhante. Mas quem iria se dar ao trabalho de erigir um monumento em sua homenagem? Ora, Miguel Pacífico, o carpinteiro da cidade, poderia muito bem fazer a escultura de Miguel Pacífico, o músico, o consagrado cidadão.

E pôs mãos à obra. Num carro de boi trouxe dos longes da região, uma enorme tora de cabriuva e, em sua casa, de formão em punho, paciente e impacientemente esculpiu a sua própria figura, copensando os calos da mão com a visão de sua estampa na praça central para eterna glória dos Pacíficos e tranquilos. Mas eis que, terminada a obra de arte, começaram a surgir os contratempos. A prefeitura não queria nenhum Miguel Pacífico no jardim da cidade. As autoridades da época, com uma penada, vetaram lhe o sonho. Ponderou, esbravejou, argumentou e nada.

Persistente, tratou então de completar sozinho o seu intento. Comprou um terreno na rua Saldanha Marinho, então deserta, e construiu o pedestal, o nicho e lá deixou a sua estátua. Estava feliz.

O deus pagão

Desaparecido o homem, Miguel Pacífico, o imortal, teve novo dissabor e seria contrariedade, eis que entre as suas idiossincrasias, não se incluia a libertinagem e no local que escolheu para sua glória foi confinada a prostituição. Era mais uma afronta que as autoridades lhe faziam.

Na cidade, a foca pequena, formou-se então uma lenda desabonadora a respeito de seu caráter e a despeito de sua vida ilibada, honestamente entre o formão e o clarinete. Alias não se sabe mesmo que instrumento tocava o Pacífico em vida, os anais da cidade não informam. O monumento não está nem ao menos registrado no cadastro municipal. Poderia ter vivido honradamente entre o buril e o bombardino e seria o mesmo. As gerações mais jovens, mal informadas sobre sua verdadeira personalidade, transformaram-no numa especie de heroi devasso, divindade misteriosa ou mitologica que presidisse a farra e aos jogos lubricos.

Sua vida de estatua passou a ser um martírio. Não tinha sossego, começava a noite e , durante a madrugada afrontavam-lhe a monumental dignidade com escarnios e deboches. E com que requintes: chapeus de palha na cabeça, cachimbos na boca, vassouras entre as pernas, cigarros nas orelhas. Como a imaginação é fertil, às horas tardias foram poucos os vexames que não sofreu, as agressões morais e, até mesmo físicas. Pela noite a dentro era ele alvo de disparos de carabina 44, uma violeneia insuportavel para qualquer cidadão, possua ou não mania de grandeza. Tiros que não lhe desformaram a aparência, já que a cabriuva era rija, dura como o aço.

Afilhado de Exu

Porem, como nem tudo são dissabores na vida das estatuas, a imobilidade de Miguel Pacífico, Baco interiorano, começou a desfrutar certa compensação. Por fim, a deferencia, o respeito, a homenagem. É que as mundanas, particularmente as da raça negra, identificando-o como um membro menor da hierarquia da macumba, passaram a lhe atribuir poderes sobrenaturais. Umas querendo fazer mal as outras, invocam a intercessão do Pacífico, junto Exu e Ogum. Prestigiavam-no a ele que nem sequer ouvira falar desses senhores do astral e nem entrendia nada desses assuntos.

Seu nicho, de 3 paredes honradas, foi coberta de embrulhos e "encomendas", sacos de pipoca, pés de coelho, ossos, charutos, galinha morta. Miguel Pacífico amanhecia cercado de velas profanas, tudo por que não lhe desvendaram o futuro no qual iria, já contra a vontade perigosamente vivier. Adivinhasse o porvir e certamente teria escolhido outro local para seu descanço e consagração.

A paz

Atualmente o confinamento foi suspenso, as afrontas cessaram eessas praticas não se repetem. Miguel Pacífico esta tranquilo. Tem apenas, uma vez ou outra, que solicitar os prestimos de algum santo verdadeiro (um bom santo canonizado) a fim de atender, com sua boa alma, aos pedidos que às vezes lhe fazem; por engano, é verdade, mas nem por isso, com menor fé ou fervor menos intenso.
Estátua de Miguel Pacífico quando esta se encontrava na Rua Saldanha Marinho
Observações
No início dos anos 70 para a construção da estação rodoviária, seu nicho foi destruido e sua estátua transportada para o Museu Municipal onde se encontra até hoje.
Agradecimentos especiais a Patrícia Alonso do CEDOC da Fundação Dr. Raul Bauab pela ajuda na pesquisa e ao senhor Italo Poli Jr pelas fotos.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Arquitetura Eclética de Jahu (SP) - Brasil

Arquitetura Eclética é o movimento arquitetônico predominante no Brasil e em Portugal na segunda metade do século XIX e primeiras décadas do século XX.
É basicamente a mistura de estilos arquitetônicos que exibiam elementos da arquitetura clássica, gótica, barroca e neoclássica.
Estava inserido dentro da arquitetura historicista que buscava reviver através de seus diversos "neos" - neoclássico, neogótico, neoromântico, neobarroco -, os elementos mais significativos destas correntes arquitetônicas.
De maneira geral se caracterizou pela simetria, busca da grandiosidade e riqueza decorativa.
No estado de São Paulo o ecletismo arquitetônico teve em Ramos de Azevedo seu maior nome. A antiga estação de trem da Companhia Paulista na Rua Humaitá em Jaú - demolida na década de 70 para abrigar a atual estação rodoviária - foi projetada por ele.

Foto: acervo Ítalo Poli Jr.

Em Jaú (estado de São Paulo, Brasil), fundada em 1853, a arquitetura eclética é um precioso patrimônio cultural cujo valor merece mais atenção do setor público e privado.


A Secretaria de Cultura e Turismo de Jaú tem promovido cursos e oficinas cujo principal objetivo é divulgar a riqueza patrimonial da cidade. Na contramão, alguns vereadores, donos ou representantes de setores cujo lucro advêm da especulação imobilizaria, tentam limitar e barrar as ações preservacionistas da cidade. Em nome do dinheiro fácil querem privar a cidade deste importante patrimônio cultural capaz de gerar renda através do turismo.





Fotos - Julio Cesar Polli 2008/2009

Conheça um pouco da História de Jaú...

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