domingo, 6 de outubro de 2013

ATRAVÉS DA HISTÓRIA DA MATRIZ NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO DO JAHU, A HISTÓRIA DE JAHU


Entrada principal da Matriz Nossa Senhora do Patrocínio do Jahu - 2012 - Foto Julio Polli

A Matriz Nossa Senhora do Patrocínio me encantou a primeira vez em 1981 quando fui visita-la em ocasião de uma missa de páscoa onde fomos levados pela professora do pré primário. Nunca mais esqueci aquela grandeza altiva. Anos mais tarde já pré adolescente volto a mesma igreja Matriz na condição de coroinha. E de lá observava e observava tudo e todos os lugares. Minha vista se perdia em meio a tanta informação e curiosidade. Depois fui perdendo o interesse e já a considerava como um lugar "comum", até que ao adentrar no curso de graduação em História meu interesse pela História da cidade de Jaú e seus patrimônios arquitetônicos aumentou consideravelmente. Passei a amar a História de Jaú.
Assim, novamente em 2007 meus caminhos se cruzaram com a centenária Igreja. A convite de João Castro, então estagiário da Secretaria de Cultura e Turismo no ano de 2007, elaboramos um roteiro turístico para ser adotado na Matriz Nossa Senhora do Patrocínio. E assim o fizemos...

Matéria de capa do Jornal O Comércio do Jahu, abril de 2007

Seguiram-se pesquisas e mais pesquisas, para fazer um trabalho de qualidade. E o que apresento agora são algumas das informações que fomos descobrindo ao longo dos anos. Neste momento em 2012/2013 presenciamos gratificados o tão sonhado restauro da Igreja Matriz Nossa Senhora do Patrocínio. Fruto do trabalho árduo da Lucy Rossi, Ítalo Poli Jr e comissão Pró Restauro, que capitaneou o dinheiro necessário para tão grande investida. Mostraremos então o projeto, o  antes, durante e depois dos sobre os trabalhos de restauro na Igreja.

A Igreja Matriz Nossa Senhora do Patrocínio do Jaú em 2012 - foto Julio Polli


 por  Julio Cesar Polli 

Diretor do Museu Municipal José Raphael Toscano, graduando em História, membro do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico,  membro do Conselho Municipal de Turismo e membro do Conselho Municipal de Cultura..



Viajaremos no tempo para conhecermos a História de um dos templos religiosos mais bonitos do interior paulista se não for o mais belo. Não por menos, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio do Jahu foi inclusive chamada de basílica e de catedral durante sua construção por um grande jornal da capital.

Sua construção marca o início do povoado e seu estudo ajuda-nos a entender as transformações sociais e culturais, não somente de ordem religiosa, mas também as transformações políticas e econômicas ocorridas no Brasil, do auge ao fim do Império indo até o início da República Velha.

Na frente da Matriz, na Praça Siqueira Campos esta o monumento do glorioso filho de Jaú, comandante João Ribeiro de Barros que em 28 de abril de 1927 tornou-se o primeiro aviador americano a atravessar o Atlântico num voo tripulado a bordo do hidroavião "Jahú", fato que projetou a Jahu internacionalmente.

Ao redor da Matriz, podemos observar alguns dos casarões que foram construídos na magnífica época do café. Também conhecido como “ouro verde” o ciclo do café durou aproximadamente por 100 anos (1860 a 1960).

O café foi responsável pela riqueza de Jahu e principal fonte de progresso.



O templo que admiramos  é a quarta edificação no local. A primeira Capela era um simples rancho de pau-a-pique coberto com folhas de jeribá (mais ou menos em março de 1853). A segunda Capela nasceu após a criação do povoado do Jahu e era de madeira. A herança testamentária de BENTO MANOEL DE MORAES NAVARRO que legou uma terça parte de seus bens para a construção de um novo templo (10:391$762 - dez contos trezentos e noventa e um mil e setecentos e sessenta e dois réis)
 possibilitou o início da construção de uma obra mais moderna, agora de tijolos e não de madeira. O terceiro templo começou a ser edificado no ano de 1868. Para ajudar na construção foi  instituído pela Câmara Municipal de Jahu um  imposto sobre os produtos exportados pela Vila.

Entre construções e reformas, aquele templo não mais satisfazia as necessidades e nem as exigências do progresso local.

Resolveram então os moradores pela edificação de um templo que correspondesse à grandeza da fé e da cidade e com o progresso notório do Jahu que crescia nas finanças públicas e particulares, graças à cultura do café.

Foi assim que começou a construção do quarto templo de Jahu.

Imagem de Nossa Senhora do Patrocínio no pórtico da Matriz, já restaurado em 2012. Fotos Julio Polli



Foto de Antonio Dias de Jesus

A História da Matriz recebeu valorosa contribuição de mãos estrangeiras para a sua edificação, a começar pelo seu engenheiro-arquiteto, o belga JOÃO LOURENÇO MADEIN recém chegado da Europa ( João Lourenço também executa os trabalhos da Santa Casa, Ateneu Jauense e Coreto da Praça da Independência - hoje Siqueira Campos)
Fizeram então os serviços topográficos neste terreno de 10.000 metros quadrados. A terça parte dianteira do terreno ficou reservada como área livre ao mesmo tempo em que as laterais foram também parcialmente mantidas desocupadas para valorizar o conjunto urbanístico, respeitando-se espaços abertos para melhor visualizar-se o conjunto do prédio.

A planta da Igreja foi elaborada em forma de cruz não apenas como recurso técnico, mas, principalmente como uma manifestação de fé.


Em 1908 é possível observar que o telhado da Igreja Matriz Nossa Senhora do Patrocínio possuía um trabalho em pintura.



A mão de obra quase que totalmente foi a italiana. Em 1904  Torello Dinucci  assume os trabalhos de conclusão da torre, porem acreditamos que ele e seus companheiros estavam presentes desde os alicerces da Igreja, são eles alem do Dinucci, Domênico Leonelli (que segundo seu neto Arnaldo Leonelli, Torello Dinucci mandou buscar na Itália especialmente para a construção da abobadilha da Igreja), Guilherme Perondi e Enrico Cota. Estes são os principais. Talvez os "mestres-de-obra". 
Sabemos também que o italiano Caetano Perlatti ajudou na construção da Igreja Matriz. Ele fazia o transporte de pedras para a Igreja, assim como muitos outros fizeram. Outra figura conhecida da História que trabalhou na Igreja Matriz foi o também italiano Miguel Pacífico (que fez uma estátua de si mesmo) como carpinteiro. 



Abaixo do Brasão do Vaticano possivelmente ramos de café. Foto Julio Polli 


A pedra fundamental do grandioso templo foi lançada a 24 de novembro de 1895.
As suas dimensões são de 40 metros de comprimento por 19 de largura na parte da cruz. A torre tem 60 metros.



O estilo adotado é o neogótico, que segundo José Raphael Toscano permite a aplicação de formas singelas porem monumentais.
As despesas foram orçadas em 400:000$000.
A inauguração se deu no dia 09 de junho de 1901, apesar de não estarem totalmente concluídas as obras.




O término da construção da Matriz ocorreu em 1905. Na ocasião instalou-se na torre a grande cruz de ferro, que mede 5m de altura, iluminada por energia elétrica, sendo então a primeira cruz iluminada no Brasil.  Foram também construídas as escadarias que davam acesso ao relógio..


Jaú foi à quarta cidade do Brasil a ter o benefício da luz elétrica. Primeiro foi a cidade de Campos/RJ, Rio Claro/SP, Piracicaba/SP e finalmente Jaú. A inauguração da Companhia de Força e Luz do Jahu deu-se em 28/09/1901.  (
Vultos e Fatos da Cidade de Jaú.)




Placa de bronze mencionando a doação de Dona Felicia Chammas em 1953

Placa de bronze mencionando a doação de Dona Francisca de Paula Almeida Prado. Doação póstuma.

                                  


                                    Escada que da acesso ao piso onde se encontra o órgão



          Fotos dos Sinos ( inaugurados em 1953) no ano de 2007 antes do restauro.


       
   Fotos dos sinos da Matriz após o restauro em 2012 - fotos Julio Polli
              
Os sinos da Igreja Matriz Nossa Senhora do Patrocínio após a reforma em 30 de setembro de 2012

Este sino menor já é maior que o antigo sino da Igreja Matriz que hoje se encontra no Museu Municipal

Carrilhão de Sinos que foram doados pela família Chammas na ocasião do I Centenário de Jaú, em 1953.  Badalaram a primeira vez no dia 25 de janeiro de 1954 na ocasião do IV Centenário de São Paulo



Antigo sino da Matriz que hoje se encontra no Museu Municipal de Jahu - fabricação de 1884

                                                     
Escada de acesso aos relógios antes da reforma - foto de 2007


Atrás do relógio da Matriz Nossa Senhora do Patrocínio, 2007

Aspecto dos relógios em 2007
Piso Hidráulico porque a cura, ou seja, o ponto máximo de dureza é atingido submergindo o piso na água. Hoje utiliza-se outro processo.



O piso hidráulico após lavagem em 14 de junho de 2012



CAPELA DE NOSSA SENHORA APARECIDA
Lado direito da Igreja para quem entra:



Maquete da Matriz / confessionários / vidros (figuras desenhadas)




Via Sacra - Origem alemã



BATISTÉRIO
Lado esquerdo da Igreja para quem entra:

Obs: nota-se na parede atrás da imagem de Jesus as modificações sofridas pela Matriz sem a preocupação de preservar a pintura.


Porta principal do lado de dentro (silencio oração).

Detalhe na Porta Principal - "Silêncio"

Porta de Entrada Principal





Vitrais da Matriz

Reza a lenda que o lado esquerdo do Altar Mór ficavam os partidários do Partido Liberal então temos nos vitrais deste lado da igreja os nomes dos doadores sendo os mesmos da família Morais Navarro...


Doação de Orozimbo Loureiro de Moraes Navarro
...e a do lado direito, doação da família Almeida Prado


João Avelino de Almeida Prado


Entrada lateral esquerda
Detalhe
Detalhe dos doadores 


Altar da esquerda





Altares da Matriz

São três os altares da Igreja Nossa Senhora do Patrocínio. O da esquerda consagrado S. Sacramento.
As missas eram rezadas alternando-se os altares. As celebrações principais eram executadas no altar-mor, ou seja, no altar principal.

Assim noticiou o Comercio do Jahu no dia 30 de março de 1915:

Secção Religiosa
A’s 6 ½ da manhã, do dia 30, missa, no altar do S. Sacramento
A’s 7 horas, missa no mesmo altar.
A’s 8 horas, missa no altar do S. Coração de Jesus por alma do saudoso Vicente Pacheco de Almeida Prado.
A’s 18 horas, via sacra e canto do stabat mater.

Placa funerária de BENTO MANOEL NAVARRO, ao lado da entrada da sacristia.


Fundação do povoado do Jahu

Para o exercício de atos civis e religiosos, as famílias eram obrigadas a atravessar a floresta por uma estreita trilha aberta a golpes de facão, até a Capela de Brotas numa distância de aproximadamente 50 quilômetros viajando em lombo de burro ou a pé .Cogitou-se, então, na criação de um povoado, onde pudesse se construir uma capela e um cemitério ao menos.Com esse propósito reuniram-se moradores da região na casa de LÚCIO DE ARRUDA LEME. Isso aconteceu em determinado dia do ano de 1853.
A casa de Lúcio de Arruda Leme era, provavelmente, um rancho de pau a pique, barroteado e coberto de sapé, e situava-se no meio da mata, mais ou menos no lugar onde situava-se o prédio da Associação Comercial e Industrial, na Rua Amaral Gurgel, esquina da Rua Edgard Ferraz.
Vultos e Fatos de Jaú. “Como se transportou de Itú para Jaú a Imagem de Nossa Senhora do Patrocínio, por Osório Ribeiro de Barros Neves”.

Por deliberação dos presentes criou-se uma comissão composta pelos senhores:

BENTO MANOEL DE MORAES NAVARRO,
TENENTE MANOEL JOAQUIM LOPES (TENENTE LOPES),
CAPITÃO JOSÉ RIBEIRO DE CAMARGO (CAPITÃO RIBEIRO) E
FRANCISCO GOMES BOTÃO.

Ficou acordado que a Capela fosse construída à margem esquerda do rio Jaú e também a esquerda do córrego da Figueira. Ficou estabelecido ainda que a área do povoado teria 40 alqueires. FRANCISCO GOMES BOTÃO e TENENTE MANOEL JOAQUIM LOPES, em partes iguais, doaram terras.
Uma vez concluída a Capela, por sugestão de BENTO MANOEL DE MORAES NAVARRO, foi marcado como do “Dia da Assunção de Nossa Senhora aos Céus” para a celebrar a primeira missa inaugural do povoado de Jau em 15 de agosto de 1853 e NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO como padroeira a quem lhe era devoto. O nome "Jahu" foi uma homenagem dos moradores ao rio que cortava a cidade.

“Falou então Bento Manoel de Moraes Navarro, e disse que havia anos já, ele fizera um voto a Nossa Senhora do Patrocínio de Itú, para livrar seu filho Antônio, perseguido por haver participado como Tenente e ao lado do Padre Antonio Diogo Feijó, da revolta liberalista de Sorocaba, em 1842. Havia algum tempo que Antonio se achava refugiado na fazenda Iguatemy do seu parente e amigo Capitão José Ribeiro de Camargo, ali presente para se livrar das perseguições que então se moviam contra os principais cabeças daquela rebelião. Decretada porém a anistia geral dos rebeldes paulistas e também mineiros , por motivos do casamento de Dom Pedro II com dona Teresa Cristina, viera ele visitar o filho (...).”
Vultos e Fatos da História de Jaú – “Como se transportou de Itú para Jaú a Imagem de Nossa Senhora do Patrocínio, por Osório Ribeiro de Barros Neves”.

A missa então para na ocasião da fundação do povoado em 15 de agosto de 1853 foi celebrada pelo padre FRANCISCO DE PAULA CAMARGO que na mesma ocasião também benzeu o Cemitério Público. 



Altar Mor
Painel Assunção de Nossa Senhora ao Céus de Américo e Eva Makk - 1962

Nota-se neste painel a urgência da reforma da Matriz, o amarelo nas nuvens é marca das infiltrações que aflingem o prédio centenário.

Detalhe do painel "Assunção" de Américo e Eva Makk. 


São Pedro
                                                                        
São Paulo

Púlpitos - foram encomendados por José Almeida Leme do Prado e Joaquim Ferreira do Amaral junto ao escultor Marino Del Fávero. Antes ficavam nas laterais.





PINTURAS AO LADO DO ALTAR MOR

Abaixo dos painéis de Nossa Senhora, ao lado do altar mor estão retratados os quatro evangelistas, dois de cada lado, na seguinte ordem da esquerda para a direita – LUCAS, MATEUS, JOÃO, MARCOS.

“O apóstolo João, no seu Apocalipse (4,6-7), último livro do Novo Testamento, descreve uma visão simbólica (semelhante à de Ezequiel 1,4-10): Quatro seres vivos de aspectos diversos: de homem, de leão, de boi e de águia em voo. A Igreja, desde santo Irineu no segundo século, aplica tal visão aos quatro evangelistas, segundo a característica de cada um, a saber:

A figura de homem ou anjo representa MATEUS, que prova aos israelitas ser Jesus o Messias prometido no Antigo Testamento.
O leão simboliza MARCOS, que demonstra ser Jesus o forte e onipotente Filho de Deus, o “Leão de Judá” vindo para salvar o mundo.

A figura de boi caracteriza, com seu alto mugido, a mensagem de Cristo para a salvação universal, o que transparece na narração de LUCAS.

E a águia em vôos altíssimos é JOÃO, que considera a origem eterna de Cristo-Verbo, que é um único DEUS com o Pai e o Espírito Santo.”

(O Santo Evangelho de N. S. Jesus Cristo. Tradução dos textos originais. 50ª edição. Edições Paulinas. 1987).

Rosáceas
a do lado esquerdo doada por um grupo de paroquianos da Matriz
... e a do lado direito da família Almeida Prado



BENTO MANOEL segue para Itu e manda talhar uma imagem de NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO e a fez transportar através de um banguê (em braços de escravos) até o povoado.

Essa imagem de belíssimo aspecto, esculpida em cedro vermelho com olho de vidro e conservados até hoje as cores originais. Mede um metro mais ou menos de altura e pesa ao todo 60 quilos. É o único documento-monumento testemunho da fundação da nossa cidade.

Ao que parece em 1915 um vigário que não tendo a justa compreensão do valor histórico que representava para Jahú essa imagem, substituiu-a no altar-mor da nossa Matriz por outra mais moderna e que lhe parecia mais bonita, relegando aquela para um quarto de despejos na Matriz. Dali ela foi levada pelos fiéis para a Igreja de Santo Antonio. Por volta de 1950, o prefeito Osório Neves manda então retira-la da Igreja e traze-la para colocá-la no saguão da Prefeitura Municipal.



Imagem encomendada em Itú por Bento Manoel de Moraes Navarro, feita de cedro. tem aproximadamente 1 metro e pesa 60 kilos





Mais tarde a imagem deixou a Prefeitura e foi levada para o Museu Municipal, dali voltou para Igreja Matriz onde se encontra até hoje.



Altar posicionado a direita do Altar-Mór. 




Detalhe de anjo no Altar

Nossa Senhora do Clero

São Geraldo Magela



São Geraldo Magela
Nasceu em 23 de abril de 1725 na cidade de Muro, Itália, filho de um alfaiate que morreu quando Geraldo tinha apenas 12, deixando sua família na pobreza. Desde criança deseja seguir a careira religiosa e tentou entrar para a Ordem dos Capuchinhos, mas sua saúde não permitiu, mas algum tempo depois conseguiu entrar como irmão para a ordem dos Redentoristas, servindo como sacristão, jardineiro, porteiro e enfermeiro. Ficou famoso pelos seus dons supernaturais como mestre, profecias, extasies, visões e notável conhecimento. Embora não fosse um padre, os seus conselhos espirituais eram procurados pelos clérigos e comunidades de irmãs nas quais ele dava conferencias. Ele tinha grande sucesso em converter pecadores e ficou famoso pela sua santidade e caridade. Quando em 1754 foi acusado falsamente de ser o pai do filho de uma mulher grávida –Néria Caggiano- ele apenas fez uma oração e a mulher se arrependeu, retratou e o inocentou. Assim começou a associação de São Geraldo como padroeiro da gravidez. Notável leitor de mentes e de consciências. Ele foi enviado a Nápoles e logo sua casa foi inundada de visitas desejando vê-lo e ouvir seus conselhos e assim alguns meses mais tarde ele foi enviado para Caposele. Diz a tradição que vários se converteram graças aos conselhos e que curava vários doenças apenas com a sua benção e oração. Vivia em uma pequena cela no convento, na maior humildade e seu ultimo desejo consistiu de uma pequena nota na porta de sua cela que dizia: "Aqui o desejo de Deus é feito como Deus quer, quando e enquanto quiser".
Morreu em 1755 de tuberculose na Itália e logo o seu túmulo se tornou um local de peregrinação e vários milagres são creditados a sua intercessão.
Foi canonizado em 1904 pelo Papa Pio X. É o padroeiro da gravidez, dos falsamente acusados, das boas confissões e da maternidade.

Santa Josephina Bakhita
Nascida no ano de 1868 em Oglassa, Darfur, Sudão de uma família Sudaneza rica ela foi seqüestrada por mercadores de escravos com 9 anos e após torturada foi dado o nome de Bakhita (que significa a "afortunada") pelos mercadores e vendida no mercado de El Obeid em Khartoun. Finalmente comprada em 1883 por Callisto Legnani, cônsul italiano que panejava liberta-la .Ela acompanhou Legnani a Itália em 1885 e trabalhou para a família de Augusto Michieli como babá. Ela foi muito bem tratada pelo italianos e passou a amar a Itália com sua pátria. Convertida já adulta, ela entrou para a Igreja em 9 de janeiro de 1890 e tomou o nome de Josephina como um símbolo de sua nova vida.
Ela entrou para o Instituto das Filhas de Caridade de Canossiano, em Veneza em 1893 tomando seus votos em 8 de dezembro de 1896 em Verona e servindo como freira pelos próximos 50 anos. Sua presença gentil, sua voz amável, seu calor humano, e sua obstinação e vontade em ajudar qualquer tarefa que confortasse os pobre e os sofredores que iam a porta do Instituto, a fizeram famosa em pouco tempo. Quando sua biografia foi publicada em 1930 vários iam procura-la para fizesse seus discursos e sermões para arrecadar fundos para as missões.
Faleceu em 8 de fevereiro de 1947 de causas naturais na Itália.
Foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 1992 e canonizada em 1 de outubro de 2000 também pelo Papa João Paulo II na Basílica de São Pedro em Roma, embora fosse uma santa originária do Sudão.
Foi canonizada em 2000 pelo papa João Paulo II, após o reconhecimento, pelo Vaticano, de um milagre de cura ocorrido em Santos, Brasil em 1992. Eva Tobias da Costa solicitou a intercessão de Josephina Bakhita para sanar suas feridas incuráveis, o que aconteceu de imediato.
Foi indicada padroeira do Sudão.
Cerca de mil fiéis estiveram presentes na inauguração da primeira igreja do Estado de SãoPaulo em louvor a Santa Josefina Bakhita, no dia 04/02/2006. Na entrega do templo, à Rua República Portuguesa, 18 (Vila Mathias), foi celebrada Missa ao ar livre pelo Bispo Diocesano Don Jacyr Francisco Braido, auxiliado pelo Pe. José Paulo, pároco da nova capela.
Sua festa é celebrada no dia 8 de fevereiro.


                                                      PINTURAS DA MATRIZ

                    Antes de 1922 as paredes da Matriz eram limpas, sem decorações e sem painéis.





Antiga lateral direita da Igreja Matriz em 1922. Ainda não sabemos o motivo para a demolição desta área.



                                             
Detalhe da pintura de Bruno Sercelli
Detalhe de um dos painéis pintados por Carlos de Servi


Detalhe da pintura decorativa de Carlos de Servi acima do Altar Mór


O projeto de decoração interna da Matriz (teto, paredes, colunas e altares, pela quantia de 50:000$000) é de ORESTE SERCELLI, nascido em Florença, onde estudou belas artes, fez aperfeiçoamentos em Bologna, Mântova, Veneza e Roma. Embora classificado como nº1 no concurso para a Cátedra de Decoração da Escola de Bellas Artes de Urbino não lhe foi atribuída a vaga. Viúvo e desolado deixa a Itália em 1896.
Trabalhou em vários estados do Brasil. Depois de passar sete meses na Itália com a saúde abalada, volta para o Brasil e continua trabalhando em colaboração com seu filho BRUNO SERCELLI até 1927.


Detalhe da pintura do teto. "Cauda Pavonis"


Para os painéis ou quadros (mediante a quantia de 30:000$000) foi contratado o pintor CARLOS DE SERVI. O artista da Matriz de Jahú começou os estudos no Régio Instituto de Bellas Artes na cidade de Lucca, onde nasceu. Morou em Buenos Aires e de lá foi para Londres onde venceu um concurso e ficou quatro anos aperfeiçoando-se em sua arte.
Veio para o Brasil em 1896.

Em 1923 ficou pronta a decoração interna.


Detalhe da pintura de Carlos de Servi. Esta pintura estava a direta do Altar Mór


Detalhe de pintura ao lado inferior esquerdo da rosácea que fica a direita do Altar Mór


Já nos anos 60, as pinturas estavam sem vida, apagadas.
Uma comissão criada com essa finalidade não chegava a um acordo de como seria feita essa reforma.
Por esta ocasião retornava para o Brasil o casal MAKK (AMÉRICO E EVA) que depois de percorrer vários países onde deixara a marca de seu talento artístico, aqui estavam concluindo um trabalho na Capela Episcopal de São Carlos. Com o aval do bispo, ficou decidido que os internacionais e extraordinários pintores sacros Américo e Eva, seriam contratados para os painéis da Matriz de Jahú.
As magistrais pinturas foram iniciadas em outubro de 1961 e concluídas no ano seguinte.
No andamento dos trabalhos não faltaram problemas. Alguns fiéis mais conservadores estranharam o realismo anatômico das figuras.
O rigor com que se tratava a anatomia feminina das imagens – quando Américo reproduzia a fisionomia e as linhas sinuosas do corpo da esposa Eva – causava incômodo a um grupo de fiéis.
Donos ainda de todo vigor da mocidade, esses jovens artistas transformaram-se num binômio inédito em toda História da Arte.



 
AMERICO é de origem húngara, fez seus estudos na Escola Superior de Belas Artes de Budapeste, conquistando uma bolsa de estudos para a Itália para onde se dirigiu aperfeiçoando-se no Vaticano em Arte Sacra.
EVA, africana da Etiópia, filha de húngaros, seguiu para a França com uma bolsa de estudos. Atraída pela beleza histórica da Itália, transferiu-se para Roma onde conheceu o jovem Américo.
Vieram para o Brasil e casaram-se em São Paulo.
Após o termino da obra foram para os EUA.









Órgão

O órgão da Matriz foi encomendado na Alemanha por JOAQUINA DE ALMEIDA PRADO e CORONEL LOURENÇO AVELINO, em respeito à vontade do MAJOR FRANCISCO DE PAULA DE ALMEIDA PRADO e é um dos únicos exemplares no Brasil.


Assim noticiou o Commercio do Jahu no dia 28 de setembro de 1915:

O grande orgam
Domingo foi inaugurado às 8 horas, o grande orgam offerecido à matriz, pela exma. Sra. D. Anna Joaquina de Almeida Prado e coronel Lourenço Avelino de Almeida Prado. A essa hora o revmo. Cônego Bento Monteiro do Amaral, digno e zelozo vigário da parochia, revestido de pluvial roxo e assistido de 4 eclesiasticos dirigiu-se ao coro e ahi foi solennemente benzido o orgam, servindo de paraninmplhos os generosos doadores. Logo em seguida o maestro Azzi tocou um hymno especialmente composto para este dia. (...)
Depois de discorrer sobre as bellas artes e da influencia que sobre ellas exerceu e exerce a Egreja Catholica, referuiu-se à magestosa egreja do Jahu e num rasgo de eloqüência descreveu a sua architectura gothica, as suas ogivas, as suas arcarias, as cores vivas dos seus vitraes, os seus altares, os seus púlpitos etc. Faltando então, como complemneto, um grande orgam, que é no dizer do illustre sacerdote – a voz da Egreja.

Curiosidades sobre Jahú

Jahú tinha na ultima década do século XIX, 25.000 pessoas, sendo 5.000 na área urbana que contava com mais de 1.000 prédios. Somando-se os moradores das áreas adjacentes, que mais tarde seriam desmembradas para formarem outras cidades, como Bocaina, Barra Bonita e Itapuí, a população do então município de Jahú se elevava a 32.738 habitantes.

Desde a chegada da ferrovia em 1887, Jahú se transformara num dos mais importantes pólos de produção cafeeira de São Paulo e do País, especialmente nas primeiras décadas do século XX, o que lhe rendeu prestígio econômico, político e cultural.




BIBLIOGRAFIA

Documentos do Museu Municipal José Raphael Toscano de Jaú.
Jornal Comércio do Jahu.
FERNANDES, José. Vultos e Fatos da História de Jaú Capital da Terra Roxa. Edição conjunta do Correio da Noroeste, Correio da Capital e Correio de Garça. 1955
ALMANACK JAHÚ 1902, Correio do Jahú.
TEIXEIRA, Sebastião. O Jahú em 1900.
TOSCANO, José Raphael. 100 anos de arte e fé. 2001.

Um comentário:

Jorge Ramiro disse...

É uma excelente revisão. Eu vi um documentário na televisão quando eu estava comendo em um dos restaurantes campinas.